ONIPRESENÇA XVIII

No muro, a negra suásticaé o testemunho perfeitode quão pode ser elásticaa consciência e o direito.

É uma advertência cáustica

de que se o homem foi feito

assemelhado ao Perfeito,

Deus há muito já fez plástica.

Está ali, nada e nua,

a supurar pela rua

sua pústula presença,

manchando, mais do que o muro,

o mundo, a tarde, o futuro,

tudo o que o homem condensa.

Viriato Gaspar

(do livro “ONIPRESENÇA”)

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Viriato Gaspar
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O VELHO NA TARDE

(a Clóvis Gaspar, in memoriam)Um velho passa, tão lento,

que ao passar, é passado.

Caminha quase arrastado

pela leveza do vento.

É como se não quisesse

chegar lá onde está indo,

e a cada passo estivesse

consigo se desavindo.

Passa tão devagarmente,

que nem passa, se demora,

por si mesmo retardado,

como se, parando a hora,

e estacionando o presente,

se prolongasse, adiado.

Viriato Gaspar

( poema inédito do livro “ONIPRESENÇA”)

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Viriato Gaspar
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